Identidade de gênero

 

Olar! Bora parar de passar vergonha falando besteira sobre o assunto?

Já ouvi tanto absurdo sobre o tema, que resolvi fazer um post para desmistificar de uma vez por todas o que é “identidade de gênero”.

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Laerte Coutinho. Uma das cartunistas mais famosas do Brasil.

 

Não, não é coisa do capeta e muito menos doença. (sim, infelizmente ainda existe gente ignorante que fala esse tipo de coisa. Lamentável…)

Mas como a titia é gente boa e tem bom coração, vou tentar acabar com esse papo furado de gente preconceituosa e mostrar que pessoas trans são gente como a gente!

Mas Mari…como assim?

Pois é, meu bem! São iguais a mim e a você. Capacitados, competentes e são dignos de respeito, como qualquer outra pessoa; mas infelizmente ainda são tratados como escória.

Aí eu me pergunto: Por quê?

Por quê?? Falta de informação, intolerância, preconceito, o patriarcado e o machismo são alguns dos motivos para tamanho preconceito. Então, bora se informar?

BORA!

Não confunda identidade de gênero com orientação sexual! São termos totalmente distintos.

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Lana Wachowski. Cineasta  famosa pela produção do filme “Matrix” e da série “Sense 8” do Netflix.

 

Não entendeu? Tudo bem, eu explico:

Gênero, é como a pessoa se identifica. Há quem se identifique como homem, mulher , ambos ou também como nenhum dos dois gêneros: São os chamados binários.

O termo “gênero” foi utilizado pela primeira vez em 1955 pelo psicólogo John Money (1921 – 2006), para expressar uma diferença social e psicológica entre homens e mulheres. Simone Beauvoir (1908 – 1986) ajudou a teorizá-lo e evidenciou os componentes sociais em sua construção (daí sua frase “Não se nasce mulher, torna-se mulher” citada no ENEM 2015).

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Liniker. Não se define nem como homem e num como mulher. Exemplo de pessoa não-binária.

“Quando me questionam sobre gênero, eu falo que eu não sei quem eu sou e eu acho que é importante viver essa dúvida também. Eu não preciso ter uma certeza de ‘sou homem’ ou ‘sou mulher’, meu corpo é livre, meu corpo é um corpo político, ele merece a liberdade dele e eu preciso caminhar com isso, aceitar que eu sou assim”, disse ao G1.

 

Cis-gênero: Identifica-se com o mesmo gênero que lhe foi dado no nascimento.

Transexual e/ou transgênero: Ao contrário do Cis-gênero, não se identifica com o gênero dado no nascimento.

Já a orientação sexual, depende de com qual gênero a pessoa desenvolve relações sexuais e laços românticos.

Heterossexual: Se sente atraído por pessoas do gênero oposto.

Homossexual: Sente atração por pessoas do mesmo gênero.

Bissexual: Ambos os gêneros.

Existe também a assexualidade, que consiste em não sentir atração por nenhum dos gêneros. Mas ainda não há consenso se ela é ou não uma orientação sexual.

Expressão ou performance de gênero: Se trata da forma com que as pessoas expressam a sua sexualidade na sociedade. Roupas, acessórios, tom de voz, detalhes físicos e atitudes por exemplo.

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Thammy Miranda. Filho da atriz e cantora Gretchen.

 

Genitais: Pênis, vagina ou ambos.

Gênero: Conjunto de característica sociais e culturais ligadas ás percepções de feminino e masculino.

Ah! E gênero, nada tem a ver com os genitais. Que fique bem claro!

Como assim Mari?

Assim, ó: uma pessoa pode ter nascido com um pênis e se sentir mulher. Então, ela é uma mulher. E vice-versa.

Entendeu?

Aqui vão algumas dicas para não ser um transfóbico (preconceito contra pessoas trans):

1 – A diferença entre transexual, travesti ou transgênero. É de autoidentificação. Por isso, o indicado é usar somente a sigla “Trans”;

2 – Evite referências ao gênero de nascimento;

3- Não exponha o nome civil, use apenas o nome social. Comentários do tipo “Nasceu José e agora é Carla”, só mostram que você é um babaca;

4 – Ele ou ela? O artigo correto é sempre de acordo com o gênero que a pessoa se identifica. Por exemplo: O indivíduo que foi designado homem ao nascer mas se identifica como mulher, é A transexual. E vice-versa;

5 – “A travesti” é o correto. E não “O travesti”. Travesti é feminino, a não ser que a pessoa expresse o desejo de ser tratada no artigo masculino;

6 – Gênero é diferente de orientação sexual (como já disse acima. Mas vamos reforçar né?). Isso quer dizer que as pessoas trans, possuem uma orientação sexual que não depende da sua identidade;

7 – É possível uma pessoa trans ser homossexual: indivíduo que foi designado como homem ao nascer mas se identifica como mulher, sentir atração por mulheres. E vice-versa;

(Há também os trans binários, que não se identificam com nenhum dos gêneros.)

8 – Identidade de gênero e sexualidade são processos que são construídos ao longo da vida. Portanto, perguntas do tipo ” Quando você se descobriu trans?” não fazem sentido;

(Afinal de contas, ninguém pergunta pra um homem hétero por exemplo, quando ele começou a gostar de mulher não é mesmo? Essa é a linha de raciocínio.)

9 – IMPORTANTE! Use a palavra “cisgênero” para se referir às pessoas que não são trans. Não use termos pejorativos como “normal” ou “homem ou mulher de verdade”. Captou?;

10 – Evite fazer perguntas sobre o corpo da pessoa. Principalmente se ela fez algum tipo de cirurgia.

Por motivos de: Não é da sua conta.

Aliás, “cirurgia de mudança de sexo” não existe. O correto é dizer cirurgia transgenitalização.

E vale lembrar que a diferença entre transgênero e travesti, se dá pela auto identificação do indivíduo e nada tem a ver com nenhuma cirurgia;

11 – Homofobia se refere a questões de orientação sexual e não de gênero. Para intolerância contra pessoas trans, o termo correto é “transfobia”;

12 – Pessoas trans não são doentes. Então, não use o termo “transexualismo”. O sufixo “ISMO” remete à doença. O jeito certo é “transexualidade”;

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Chaz Bono. Filho da cantora Cher e do produtor Sonny Bono.

 

E não, nada disso é frescura. A linguagem é simbólica e informação é o primeiro passo para parar de disseminar intolerância e preconceitos.

 

Beijos e bora respeitar “ozôto” e parar de falar bobagem.

 

 

 

 

Fontes: Revista Mundo Estranho, Catraca Livre, Artigos Gênero, O Que É Isso?, de Maria Eunice Figueiredo Guedes, O Tráfico de Mulheres – Notas sobre a “Economia Política” do Sexo, de Gayle Rubin, livro Problemas de Gênero, de Judith Butler, e sites PLC122Tansfeminismo e Brasil.gov.br

Fotos: Google

 

 

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